quarta-feira, 10 de novembro de 2010



"Se eu pudesse de fato, ensinar algo para as pessoas,ensinaria a ter fé e a acreditar nas linhas tortas e sem pressa que Deus vai escrevendo. Se eu pudesse ensinaria até a mim mesma, porque confesso que às vezes o fio da fé ameaça a arrebentar.
Aí do nada o jardim floresce, o céu fica azul e o sol cai bem em nossas mãos. Essas coisas costumam acontecer quando menos se espera, quando já se está cansado de chuva, céu nublado e folhas secas. O que se sabe de tudo isso é que Deus não desiste, mesmo que nós desistamos. Parece que quando Ele vê os ombros se encurvarem,Ele nos cutura lá de cima como quem diz " Ei, estou aqui".E eu sei que está."
[Camila Fonseca]


"Um filme lindo que se passa de dentro pra fora e nenhum projetor é capaz de capturar. O que chamam de invisível e intransferível. Estou falando é disso..." [Camila Fonseca]

domingo, 12 de setembro de 2010


As pessoas e suas mil faces, o ser humano e suas banalidades.
Só pra lembrar, estou me incluindo nisso também. E se sabemos que somos assim,se somos essa metamorfose toda, porque insistimos em rotular pessoas e sentimentos?
- Oi, você é engraçada e eu te amo pra sempre. - Aquele fulano é falso e eu nunca vou ser amigo dele.
Que grande besteira todos essas etiquetas definitivas.
Quem deu sorte de me conhecer em um dia tranquilo, me viu serena. Tiveram aqueles que me pegaram naqueles "dias de cão" e me acharam fechada demais. Se não sabemos quem seremos, se todos os dias Deus coloca algo novo na nossa vida, se algumas pessoas passam, se o sol vai sair amanha, se meu caminho mudar, se vai ser sempre essa cor de cabelo ou aquele estilo de vestir, na verdade não sabemos. Então porque prever?
Mas eu acredito sim,que exista algumas coisas que o pra sempre vale a pena, e é por essas que devemos tomar cuidado com nossos rótulos, é por elas que insisto em dedicar meus cuidados e meu medidor de palavras.
Porque usar as palavras erradas para dizer o que sente? O que você diz está dito, o que você faz está feito. Suas palavras e seus atos tem um poder enorme para aqueles que te julgam gigantes. E depois de feito/dito o que sobra é o desespero da mudança,a perda pelo impulso fatal, o arrependimento pela inércia.Porque não cumprir o que diz, então? Ficaremos juntos para sempre? Ou estamos juntos hoje e espero que estejamos por muito mais tempo? Te amo pra sempre ou te amo tanto hoje que caberia em todos os anos que me restam? Te odeio hoje e prometo repensar.
Nunca é uma promessa que eu não posso cumprir.
Assim como pra sempre.
Nunca é tempo demais.
Sempre é um tédio só.

[Camila Fonseca]

domingo, 8 de agosto de 2010

Pai


Não vejo modo melhor de expressar o inexplicável. Palavras não são tudo, mas ajudam
e clareiam algumas coisas. Aqui vai mais uma cartinha para sua coleção,agora com um pouco mais de conhecimento e muito menos erros ortográficos, mas não menos sinceridade. Pois em dias como esse a ausência de culpa de ambos fica mais clara.
A minha gratidão muitas vezes se mostrou torta, e aos trancos e barrancos chegamos aqui, com toda nossa semelhança embrulhada em nossas muitas diferenças, somos tudo aquilo que fizemos da nossa vida. E muitas vezes não fazemos da vida exatamente aquilo que somos, em essência. Mas somos seres humanos e mesmo que haja erros, não somos apenas genética, somos antes de tudo pai e filha. E eu sei que somos muito, você é ainda mais, você é tudo pra mim. Não quero mudar nenhuma embalagem, quero abraçar o conteúdo, e você é um livro gigante cheio de histórias legais e conhecimento que toda noite eu leio um pouquinho, sem contar para ninguém. Afinal, ninguém mais precisa saber a não ser nós, e eu sei que você sabe, e você sabe que eu sei. O amor maior da vida está ali, sentado na oficina, tocando violão no quarto, deitado assistindo tv, esperando
apenas algum sinal, pronto para estender as mãos a qualquer hora. Esse caminho não é meu, esse caminho é nosso, porque fui eu que caminhei, mas você foi na frente abrindo os caminhos até aqui. Obrigada por tudo e por muito mais.
Feliz dia dos pais

[Camila Fonseca]

segunda-feira, 2 de agosto de 2010




De mais a mais, eu não queria mesmo. Seria preciso forjar climas, insinuar convites,
servir vinhos, acender velas, fazer caras.Todas aquelas coisas novamente. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si.Não velejou.E eu estava cansada de ficar sentada na ponta daquele barco tentando remar contra a maré. Em seguida vieram o tempo,a distância e o peso dos perdões mal resolvidos, aqueles que a gente vai colocando pra baixo do tapete até não dar mais.São as meias verdades que sobram, e que é melhor a gente guardar para nós mesmo. Ás vezes porque não sabemos como dizer, às vezes porque não sabemos como serão ouvidas.Mas eu não posso negar que tenho saudades daquele tempo,e de alguém que tem a vida inesperadamente misturada à minha, e que olhava minha vidraça opaca com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava. Mas é assim, coisas e pessoas que tem sempre um tapete para esconder as mágoas, com o tempo se perdem, definham-se. Porque ninguém é dono de ninguém, por mais que sejam nossas as verdades. Assim, abrem espaço para novos sentimentos e se vão.

[Camila Fonseca]

terça-feira, 13 de abril de 2010


E que com o passar do tempo as pessoas vão ficando mais sínicas
com seus sentimentos, apesar de melhor compreendê-los.
Aprende-se que nem tudo vale a pena ser vivido e sentido.
Engolir um sapo aqui,fechar os olhos ali, tampar os ouvidos acolá, assoviar para algumas aceleradas do coração... Filtro é a palavra.

[Camila Fonseca]

segunda-feira, 15 de março de 2010

Me arranho


Querido L.

Sempre te escrevo,por isso você nunca soube exatamente o que eu sentia. Não vá achando que tenho talento, não sou poeta, poetas se rasgam, eu apenas me arranho.
Faz um tempo que uso meus pobres rascunhos e rabiscos como um jeito de te olhar nos olhos e sorrir, como sempre quis, como nunca fiz direito.Você não acha?
Mas é que transformar tudo em declarações explícitas seria admitir que sou dependente de tudo.Seria imbecilidade da minha parte te dar o melhor de mim assim,de bandeija, mão beijada e coração rasgado.
E ao contrário, não sou explícita, você sabe!É inútil admitir que ficava o dia todo ao lado de um maldito telefone,nunca farei isso. Fiquei,e às vezes ainda fico.E daí? Ficava mais na época que nosso amor parecia salada de frutas, cheio de cores e sabores.Hoje,virou agua morna, sem cheiro, sem cor, sem sabor. Mas a vontade de dar goles nunca passa de vez ,estou sempre acordando de ressaca, há vezes em que a sede é mais amena,aí suporto 2,3 dias no máximo!
E meu coração, que um dia já foi jardim florido,regado e podado, agora que você se foi, está cheio de erva daninha. Na época em que vivíamos com esperança montada, poemas decorados e notas musicais na ponta da língua, na época em que brigávamos só para fazermos as pazes, em que vomitávamos nossos defeitos só para dizer logo em seguida que nos amávamos apesar deles. Pois é, errei tanto naquela época achando que minutos vazios eram dias vazios, na verdade meus dias eram completos, com toda aquela morbidez,era o jeito mais divertido de completar meus dias e o que mais anseio.
Querido L., não pense que estou revirando gavetas velhas nessa altura da nossa separação, mas hoje me deu uma vontade imensa de tirar a poeira dos livros, ajeitar as almofadas da sala e trocar o lençol.Se você deixasse, eu seria capaz de varrer a casa toda, polir os móveis, encerar o piso e organizar sua coleção de vinis por ordem alfabética.É tarde, não é? Penso que não dá mais tempo de entrar, as traças e os cupins chegaram assim que você partiu, seus livros já eram, baby! Assim como nossa chance de tomar um vinho, fumar um paiol e escutar Beatles naquela vitrola de madeira que também foi dado aos cupins de presente. Fomos bons com as traças né!
Querido L., se seu objetivo era deixar marcas você pode se sentir realizado, você fez um trabalho muito bem feito, se você queria me deixar sem rumo, você pode se sentir melhor ainda, porque naquela época em que não sabia onde ir, eu apenas te seguia, qualquer lugar estava bom. Mas depois que você partiu, aí sim tive que aprender a andar sozinha, as coisas caminharam, até hoje não sei se foi sempre para frente, mas hoje sei exatamente por onde ando, as pedras que piso e as portas que entro, isso não me tornou melhor, isso me tornou apenas mais cautelosa e sem pressa de jardins podados, regados e floridos. "um muro na alma", não é
assim que você dizia?Meu muro é um pouco mais baixo que o seu, fico feliz, não queria ser você,marcha fúnebre. Confesso, meu rock n' roll está ficando cada vez mais bossa nova, mas ainda me restam alguma percussão e acordes de guitarra.Não é nada demais, é só o que você não me levou.
Querido L., me escreva! Sempre te escrevo.


Da sua M.


[Camila Fonseca]